Políticos reagem à ataque de Gilmar Mendes contra Curitiba

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Ministro do STF afirmou que a cidade ‘gerou’ o ex-presidente Jair Bolsonaro e ‘tem o germe do fascismo’

As declarações do ministro Gilmar Mendes contra a Operação Lava Jato provocaram mal-estar entre políticos e autoridades. Na segunda-feira 8, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o magistrado disse que Curitiba “gerou” o ex-presidente Jair Bolsonaro e “tem o germe do fascismo”.

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, saiu em defesa da cidade. “Não confundam o bom povo curitibano e o grande nome da nossa amada Curitiba com qualquer briga política”, disse o político, sem mencionar o nome de Gilmar.

O governador do Paraná, Ratinho Junior, preferiu um tom mais alto. “O ministro Gilmar Mendes certamente vai esclarecer uma fala infeliz, que ataca gratuitamente Curitiba e os paranaenses”, afirmou. “O Paraná é terra de gente trabalhadora, que tem como norte o progresso, a lei e que repudia a corrupção e toda e qualquer forma de intolerância e preconceito.”

O ex-deputado federal Paulo Eduardo Martins qualificou as declarações de Gilmar como desastrosas. “Toda vez que um ministro do STF fala publicamente, o país é tomado por uma agitação desnecessária”, observou. “Chama a atenção que, desta vez, Mendes usa o termo fascista para definir um lado do espectro político e a Lava Jato. Como tenho dito, eles realmente acreditam estar em combate contra o fascismo, algo que representa o mal absoluto. Contra o mal absoluto, tudo é permitido.”

A vereadora mais votada de Curitiba, Indiana Barbosa, rechaçou os ataques do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). “É um absurdo fazer um comentário generalista sobre a cidade toda”, constatou. “Curitiba é acolhedora, recebe bem as pessoas. Não podemos permitir esse tipo de comentário. A Lava Jato fez um trabalho primoroso no combate à corrupção e prendeu muitos corruptos. Justamente essa operação foi desmontada pelo STF.”

Os ataques de Gilmar à Lava Jato

Ao ser interpelado sobre sua decisão de barrar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil, em 2016, Gilmar disse que, naquele momento, tinha convicção de que havia um desvio de finalidade na nomeação da ex-presidente Dilma Rousseff. Na sequência, o magistrado criticou a Lava Jato. “Curitiba gerou Bolsonaro”, afirmou. “Curitiba tem o germe do fascismo. Inclusive, todas as práticas que desenvolvem. Investigações a sorrelfa [dissimulação silenciosa para enganar ou iludir] e atípicas. Não precisa dizer mais nada.”

Gilmar também acusou a Lava Jato de autoritária. “Não é por acaso que os procuradores dizem, por uma falta de cultura, que aplicaram o Código Processual Penal da Rússia”, disse. “Talvez quisessem dizer do soviético. Moro tem o Código Penal dele próprio.”

O senador Sergio Moro (União-PR), maior símbolo da Lava Jato, usou as redes sociais para rebater as declarações do magistrado. “Não tenho a mesma obsessão por Gilmar Mendes que ele tem por mim”, afirmou. “Combati a corrupção e prendi criminosos que saquearam a democracia. Não são muitos que podem dizer o mesmo neste país.”

Com Revista Oeste