A prova de uma campanha política

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Depois de muito pensar sobre o caso, me convenci que o velho Aderbal tinha sobradas razões para continuar tirando fotografias com qualquer candidato que pudesse aparecer em sua cidade. Conheci o seu Aderbal em minhas andanças profissionais pelo interior do Estado, quando nos reuníamos na frente do hotel para uma roda de chimarrão ao cair da tarde com boa erva oferecida pelo hoteleiro.

Era uma cidadezinha pequena e distante da capital, o que não impedia que houvesse um bom potencial de votos disponíveis para engordar as aspirações eleitorais de qualquer político que almejasse alcançar alguma tribuna remunerada ou a mordomia num palácio de governo.

Não havia fim de tarde sem que o velho Aderbal aparecesse no grupo com uma renovada coleção de fotografias amarelecidas, onde ele se postava ao lado de algumas pessoas, às quais as identificava como políticos, indicando em que eleição havia concorrido e se obtivera sucesso.

A tese do Aderbal era muito simples e tida por ele como sumamente eficiente. Se aquele político havia se abalado a visitar uma população no fim do mundo, era preciso registrar aquela ocasião, pouco importando o partido ou coligação a que pertencesse o visitante. Muitos não se elegeriam, porém os que obtivessem a vitória nas urnas passariam a ser devedores, no mínimo de uma atenção toda especial para com ele. Afinal, o vitorioso nas urnas não havia posado para a posteridade com o braço por cima daquele velho eleitor?

Ao se iniciar os preparativos para uma campanha eleitoral para o próximo pleito em outubro, tais fatos puseram em atividade a minha memória e esta foi buscar nos seus arquivos a lembrança do velho Aderbal e de sua inteligente tese. Não há dúvida de que a campanha eleitoral é um ótimo momento para passar a conhecer algumas pessoas que já vimos pela televisão, ouvimos no rádio ou que desconhecíamos totalmente.

Há tempos, ao me deparar com uma passeata nas ruas locais, fui cumprimentado e abraçado por alguns conhecidos e outros absolutamente desconhecidos para mim. O abraço e o aperto de mão ainda são os melhores cartões de crédito eleitoral. Quando outros candidatos e suas comitivas vierem por aqui também deverão abraçar a outros tantos moradores destas paragens sem que haja a prévia preocupação em indagar se o indigitado é eleitor habilitado para assegurar um voto garantido. Pouco importa isso.

É preciso reunir pessoas, fazer barulho e demonstrar que a recepção na cidade foi a melhor que se poderia esperar. Quase sempre o político eleito que obteve um punhado de votos por aqui, só voltará na próxima campanha eleitoral e assim mesmo se não for nomeado para um cargo vitalício em algum tribunal.

Ao menos, com a fotografia no bolso o eleitor poderia ir até a capital e pleitear uma audiência com o político que prometera mundos e fundos. Pode ser que o pedinte não obtivesse o que almejava, no entanto provaria aos acólitos das antessalas palacianas que era amigo muito chegado do homem.