Estudante da Unipampa desenvolve dispositivo que promove a redução do consumo de combustível

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Procurando alternativas para o efeito poluente do uso de combustíveis fósseis e para contornar a inflação que atinge o país, o aluno do curso de Especialização em Gestão de Processos Industriais Químicos, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus Bagé, Alejandro Reyes, desenvolveu uma pesquisa experimental com células eletrolíticas que gerou resultados promissores tanto na redução do consumo de combustível, quanto na redução da emissão de gases poluentes.

A célula eletrolítica aplicada no projeto é um dispositivo usado para a decomposição, por meio de corrente elétrica, de corpos ionizados denominados eletrólitos, que são capazes de conduzir energia. Ou seja, célula eletrolítica transforma energia elétrica em energia química, liberada a partir da quebra das ligações químicas entre átomos.

O objetivo do uso da célula eletrolítica foi separar moléculas de hidrogênio e oxigênio na construção de um gerador de oxi-hidrogênio (HHO) para uso em automóveis.

Em um veículo, a célula pode usar a eletricidade da bateria do carro para produzir HHO através da quebra das ligações químicas da água (hidrogênio e oxigênio). Este gás que é gerado é, posteriormente, injetado na corrente de ar do veículo, para aumentar a eficiência na combustão e a economia de combustível.

Na pesquisa, orientada pelo professor Cesar Mantovani, o estudante natural do Chile testou o uso de uma célula eletrolítica em seu Chevrolet Classic, modelo 1.0, fabricado em 2009. Os resultados obtidos foram promissores tanto na redução do consumo de combustível, quanto na redução da emissão de gases poluentes.

O trabalho teve como título “Construção e aplicação de um sistema gerador de gás HHO em um veículo Chevrolet Classic 1.0”. Na conclusão do experimento, Reyes constatou 73% de eficiência no processo de produção de oxi-hidrogênio, e redução de 50% no consumo de combustível do veículo 1.0, com maior grau de dissolução dos gases CO e CO², diminuindo sua emissão na atmosfera e a poluição do ambiente.

Apesar do uso de células eletrolíticas em veículos de combustão interna não ser uma invenção recente, o diferencial do trabalho de Reyes está no impacto social e na possibilidade de reprodução do seu experimento. Isso porque ma construção da célula, o estudante utilizou materiais reaproveitados de baixo custo, como aço inoxidável, placas de acrílico branco leitoso e uma borracha específica de alta densidade (HDPE).

A instalação da célula foi feita ao lado do motor, tendo a bateria como fonte de energia, e alimentada por um reservatório de água com baixo índice de minerais, ou seja, o mais pura possível.

Entre os resultados da pesquisa, Reyes concluiu que na elaboração do seu protótipo, o uso de hidróxido de sódio (NaOH) foi o que apresentou melhores resultados por necessitar de menos corrente (energia) para gerar oxi-hidrogênio.

Ainda que tenha menor condutividade que o hidróxido de potássio (KOH), geralmente usado em células eletrolíticas, o uso de hidróxido de sódio torna a construção da célula eletrolítica mais acessível e barata em termos de gasto de energia.

Segundo o reitor da Unipampa, Roberlaine Ribeiro Jorge, pesquisas como a de Alejandro Reyes vão ao encontro do que se busca em termos de economia, sustentabilidade e inovação.

“Esperamos que a Universidade possa cada vez mais incentivar projetos, abreviando o caminho entre a pesquisa e a sua aplicação, servindo de apoio para o surgimento de iniciativas que envolvam inovação e empreendedorismo”, comenta Roberlaine Jorge.

Fontes: Carlos Evangelista com detalhes do Jornal da Cidade