Quinta-feira, 24 de julho de 2014 – João Carlos Pereira

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Hoje às 14 horas acompanhei o sepultamento do meu amigo e irmão João Carlos Pereira, que faleceu aos 70 anos de idade, completados no dia 8 de julho de 2014.

Conheci o João Carlos na década de 60, quando ele morava com a sua mãe D. Clementina, e suas tias, ali na Rua Silveira Martins, na esquina com a Brigadeiro Canabarro, onde sua mãe trabalhava com instituto de beleza.

Já naquela época o João Carlos tinha uma excelente biblioteca e possuía um espírito estudioso e investigativo em todas as áreas do conhecimento.  Um de seus entretenimentos paralelos ao estudo, naquele tempo, era fazer galenas (um protótipo de rádio receptor) e instrumentos de observação, como binóculos, lunetas, etc. 

Nessa época também se interessava por hipnose e por experimentos de telepatia.  Até que sua mãe, dona Clementina, lhe arranjou um emprego de auxiliar de escritório na gerência da empresa Swift Armour, onde ele passou a trabalhar.

Mas paralelamente continuou seus estudos como autodidata e com sua inventividade.  E lá um dia, ingressou na AMORC – Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz, sendo um dos fundadores do Pronaos da Ordem em Livramento, que funcionava numa sala anexa à Loja Maçônica Caridade Santanense.
Em 1968 o João Carlos me convidou para ingressar também na Amorc, mas, aos vinte anos, eu queria mais era passear e namorar.

Com sua mentalidade mais voltada para o estudo e o espiritualismo, o João Carlos insistia para que eu ingressasse também na Ordem, até que um dia apareceu lá em casa com uma maquininha de escrever portátil da marca Olivetti e uma pasta com papéis de carta em branco.

— Hoje tu não me escapa – disse ele.  Eu vou datilografar uma carta solicitando o teu ingresso na Amorc e tu vais assinar.
E assim, por insistência do João Carlos, ingressei também na Ordem Rosacruz.

O João Carlos, depois de trabalhar na Swift Armour, foi embora para Porto Alegre e lá se transformou num grande vendedor da Enciclopédia Barsa, onde recebeu vários prêmios como campeão de vendas, passando inclusive a chefiar equipes.

Porém nesse tempo a sua mãe adoeceu e ele teve que retornar para Livramento, desligando-se da empresa, e vindo a ser meu colega na empresa comercial Cademartori, como auxiliar de escritório, onde trabalhamos juntos até 1979, quando saí para ingressar como funcionário do Banco do Brasil.

De lá para cá o João Carlos casou, teve um casal de filhos, e trabalhou por algum tempo com o nosso amigo Júlio Reinecken, que acabava de se instalar em Livramento com escritório comercial de vendas e que, por seu intermédio, também ingressou na Ordem Rosacruz.

O  João Carlos já estava aposentado, quando veio a sofrer de um mal súbito que  o deixou com o braço e a perna esquerda paralisados.  E depois de ficar internado por algum tempo na Casa de Saúde, eu e o amigo Antonio Carlos Valente, conseguimos, junto ao Dr. Ney Almeida, a sua internação no Asilo Mario Motta, onde permaneceu por um longo tempo sob os cuidados daquela benemérita instituição, vindo a falecer no dia de ontem, 23.07.2014.
O João Carlos deixa um casal de filhos, e como legado a seus amigos, uma porção de ensinamentos.

Que Deus o tenha, como um de seus auxiliares espirituais, no grande esquema cósmico universal.

Luciano Machado