O centro da cidade

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Sant’Ana não se concilia desde a sua fundação e ao longos dos anos continuaram as discórdias por da cá aquela palha. A bem da verdade a cidade era para ser construída nas margens do Ibirapuitã, mas as discussões sobre a sua localização foram tão grandes que o vilarejo nem começou a se instalar.

Foi preciso que um daqueles que haviam recebido as sesmarias como doação da Coroa, de nome Antônio José de Menezes, destinasse meia légua quadrada de terra para a edificação da Capela em homenagem a Santa Ana, mãe de Maria e ao seu redor se localizasse o povoado. Como já naqueles idos de 1822 valia o ditado que cavalo dado, não se escolhe o pelo, acharam melhor parar de discutir e construíram a Capela e o povoado em cima de uma coxilha.

Aqui com os meus botões fico pensando nos bate-bocas que devem ter acontecido entre os importantes da comuna a respeito da escolha dos primeiros arruamentos e da localização de suas casas. Possivelmente, pensando num desaguadouro natural das águas pluviais e por uma questão de visão do horizonte, escolheram estes cerros para edificar o povoado ou, quem sabe, já havia abundância de água potável neste local, atraindo os primeiros habitantes a se instalar perto das fontes existentes.

E assim continuou a cidade. Por interesses comerciais o aglomerado de pessoas da Banda Oriental do Uruguai também veio a se instalar na mesma região, às margens do Cuñapirú, buscando água boa e possibilidade de intercâmbio com os brasileiros do Norte. No nosso caso o cume da coxilha foi tomado pelos comerciantes, pelas instituições públicas e praças de lazer e assim a cidade foi evoluindo.

Nos dias de hoje temos as duas ruas principais demarcando a parte alta da cidade e para ali convergem todos os interesses da comunidade. É natural, pois que na era do automóvel, haja o congestionamento de veículos naquelas ruas e as pessoas busquem um local para estacionar, haja vista que ali se concentraram as principais atividades econômicas, facilitando o acesso das mesmas ao comércio, aos bancos, repartições, escritórios profissionais e, inclusive para adentrarem à Rivera.

Constata-se com muita facilidade que há outra discórdia com a permissão do estacionamento duplo nas duas ruas principais da cidade, o trânsito por ali se tornou lento e cansativo. Pensou-se no estacionamento rotativo, porém já faz tempo que não se chega à conclusão de que essa solução seria benfazeja ou pior.

Além disto, é preciso convir que há verdadeiros peraus entre as duas ruas principais e as suas paralelas que estão na base da elevação, o que dificulta que alguém suba ou desça com um carrinho de bebê, por exemplo. Também é por isto que em Sant’Ana não prevalece o transporte pessoal através de bicicletas.

Com o tempo esta comunidade terá a obrigação racional de criar outros centros para a cidade, a fim de deslocar o trânsito e circulação de pessoas. Será necessário tornar os bairros mais equipados com o objetivo de reduzir o atual fluxo nas duas ruas principais sob pena de termos engarrafamentos de veículos durante todo o dia e, para isto, é preciso começar a repaginar a zona urbana desde agora.