Os cachorros não se enganam

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Em sua edição online de 15/04/2011 a revista Veja reproduziu matéria que foi publicada no jornal inglês Daily Mail. O texto referia uma entrevista da pesquisadora Sarah Marshall-Pescini. Vou trazer aqui alguns tópicos da publicação, a fim de que entendam o meu objetivo precípuo nestes comentários.

Pedir comida para os humanos é uma atividade muito mais complexa para os cães do que pode parecer. Antes de se aproximar de alguém por debaixo da mesa, o cachorro já passou um bom tempo analisando o comportamento de cada pessoa no ambiente – e escolhe os mais simpáticos para aumentar suas chances de ganhar guloseimas.

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Milão revela que os cães costumam observar os humanos ao seu redor e categorizá-los como ‘malvados’ ou ‘generosos’ de acordo com a maneira como tratam as demais pessoas do lugar. A partir desse ranking, os cachorros selecionam os humanos mais ‘dóceis’ para implorar por um lanchinho”.

A entrevistada contou que o seu departamento de pesquisas convidou 100 proprietários de pets para participar da experiência, que iria se desenvolver da seguinte maneira: “no local, uma dupla de cientistas comia cereais e salsichas cozidas. De tempos em tempos, alguém entrava no laboratório e pedia um pouco da comida. Um dos cientistas prontamente compartilhava sua refeição. O outro espantava a visita. Enquanto isso, donos e cães ficavam no canto do salão, observando tudo o que se passava”.

Toda a experiência foi gravada em vídeos e eles puderam constatar que, assim que o dono largava o seu cão, dois terços deles iam procurar aquele que havia sido generoso ao partilhar a sua salsicha. É visível no vídeo que os cães observam os gestos e o tom de voz dos cientistas, um que doa o alimento e o outro que repele o pedinte.

A pesquisadora Sarah Marshall-Pescini conclui: “Sabemos que os cães são habilidosos, mas jamais imaginávamos que eles tiravam conclusões sobre a personalidade das pessoas apenas observando como elas se relacionam”.

Transcrevo este texto para comprovar o que há muito tempo eu dizia a respeito de uma cachorrinha Fox pretinha que tive e chamada Bolinha. Quando me formei e voltei para Livramento a Bolinha sempre me acompanhava. Quando eu ia para o escritório ela sempre estava comigo. Deitava-se no cantinho da poltrona que eu sentava e ali permanecia quieta como se nada mais existisse.

Como eu era advogado novo na cidade e havia passado muitos anos fora, não conhecia quase a totalidade das pessoas que iam me procurar para uma consulta ou para me contratar para a defesa em algum processo. Ao longo dos dias e das semanas comecei a observar o comportamento da Bolinha. Quando chegavam determinadas pessoas, ela apenas abria os olhos e olhava para o visitante sem se mover. No entanto, quando outros chegavam, ela saltava da poltrona e ia latir furiosamente nos pés do novo cliente.

Este comportamento da Bolinha passou a me intrigar, pois não entendia as duas reações díspares dela. Qual seriam as razões para que ela recebesse passivamente a alguns e ladrasse e tentasse agredir a outros apesar de seu pequeno porte. Com o passar dos meses e como alguns dos clientes estavam envolvidos com processos penais, pude perceber nitidamente que a Bolinha se antecipara a mim e fizera a análise psicológica deles muito antes de mim.

Aquelas pessoas que haviam sido recebidas com fúria e latidos pela Bolinha não eram tão honestas como pareciam e não mereciam confiança. Assim, fui percebendo o grau de perspicácia e intuição daquela cachorrinha.