Um pouco da história gaúcha

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Revirando a minha biblioteca me deparei com o livro do jornalista gaúcho Lauro Schirmer (1928-2009) sob o título A HORA Uma Revolução na Imprensa (L&PM, 160 p. 2000), contando a história em 26 capítulos do jornal porto-alegrense homônimo, que circulou desde 30 de novembro de 1954 até o ano de 1962. O autor, que foi repórter e secretário de redação do jornal, recolheu inúmeros depoimentos de muitos daqueles que trabalharam no jornal, além da natural pesquisa do que restou dos exemplares editados.

A narrativa do autor não se atém com exclusividade ao cotidiano na redação do jornal. Ao contar os fatos, Lauro Schirmer está refazendo a própria história do Rio Grande e do Brasil, trazendo o verso e o reverso dos acontecimentos que foram expostos nas páginas de A Hora.

Ademais, a obra busca destacar com ênfase que o jornal impôs uma revolução no meio jornalístico gaúcho, inovando ao ser completamente distinto do padrão tradicional dos jornais da Caldas Jr. e dos demais jornais que circulavam em Porto Alegre. “Foi o primeiro jornal todo diagramado na redação com matérias não continuando em outras páginas. Introduziu o uso de cores e de ilustrações, reunindo uma equipe de grandes artistas.”

O jornal era editado em padrão standard, em dois cadernos, com cores nas capas e contracapas e dezenas de colunas e seções assinadas.

Em um dos capítulos o jornalista nos reaviva a memória, narrando os fatos explosivos que antecederam a eleição presidencial de três de outubro de 1955, que passaram à história sob o nome de “a Carta Brandi”.

O jornal carioca Tribuna da Imprensa, do jornalista Carlos Lacerda (1914-1977) publicou uma carta que seria do deputado argentino da província de Corrientes Antônio Brandi, fazendo alusão a um contrabando de armas de guerra que estariam sendo enviadas para o então candidato a vice-presidente João Goulart, presidente do PTB, na chapa encabeçada por Juscelino Kubitschek e com o propósito de instalar no país uma república sindicalista.

É claro que o objetivo de Lacerda era tentar desestabilizar as candidaturas que resultaram eleitas naquele pleito. Para buscar a verdade dos fatos e realizar um jornalismo investigativo, o repórter designado para a tarefa foi o jornalista José Silveira que descobriu que tudo era uma farsa montada por outro argentino na cidade de Uruguaiana..

Além do depoimento do santanense Lineu Dias (1927-2002), o livro também contempla um capítulo ao nosso conterrâneo José Silveira, jornalista que iniciou na profissão no jornal A Plateia de Livramento, e alguns anos depois voltou ao jornal para ser chefe de redação nos anos 50 do século passado e posteriormente se destacou nos veículos de comunicação mais importantes do eixo Rio-São Paulo, tendo exercido várias funções no Jornal do Brasil, Estadão e Folha de São Paulo.

Guardo uma lembrança perene do jornalista José Silveira que dirigiu a este jornal naquela época, pois foi através destas páginas de A Plateia que ele incentivou e ensinou a gurizada de então (inclusive eu) a escrever no jornal, fato que deve ser lembrado e, se possível repetido, para que se crie o viço da escrita e da leitura.